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O mal-estar hoje: quando o excesso não responde

Há algo que insiste em aparecer no nosso tempo — e que atravessa diferentes contextos, inclusive a educação.



Uma sensação recorrente de não dar conta.


Não dar conta do tempo.

Das demandas.

Das expectativas.


E, curiosamente, isso acontece justamente em um momento histórico em que nunca tivemos tanto acesso, tantas possibilidades, tantas ferramentas.


Durante muito tempo, o mal-estar foi compreendido a partir daquilo que era proibido. Havia limites mais definidos, interdições mais claras, e o sofrimento se organizava, em grande medida, em torno do que não podia ser vivido.


Hoje, o cenário se desloca.


Não se trata apenas de não poder.Trata-se, muitas vezes, de não conseguir sustentar.


Sustentar o ritmo.

Sustentar as escolhas.

Sustentar a exigência constante de desempenho.


Esse deslocamento é fundamental para compreendermos o presente. Porque ele muda não apenas o modo como sofremos, mas também a forma como tentamos responder a esse sofrimento.


Se antes a questão girava em torno da falta de liberdade, hoje ela aparece, frequentemente, como excesso de possibilidade.


Mas há um ponto importante aqui: o excesso não elimina a falta.


E talvez esse seja um dos aspectos mais difíceis de sustentar na contemporaneidade.


A ideia de que algo sempre escapa.

De que não há completude possível.

De que nem tudo pode ser resolvido, preenchido ou organizado.


Essa compreensão nos convida a uma mudança de posição: em vez de tentar eliminar a falta, trata-se de reconhecer o seu lugar.


Porque é justamente ela que nos move.

Que sustenta o desejo.

Que torna possível a relação com o outro.


Quando tudo precisa ser resolvido, otimizado e performado, há um risco: o de apagar aquilo que é propriamente humano.


Talvez, então, o desafio não seja produzir mais respostas.

Mas sustentar um espaço onde nem tudo precisa ser imediatamente resolvido.


Patrícia Andrade

Helayne Andrade


 
 
 

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